Morte de estudante em MG: suspeito confessou crime, não se arrependeu e agiu sem planejamento, diz polícia
Suspeito de matar estudante de psicologia é preso; veja o que se sabe sobre o caso Após ser preso na quinta-feira (12), Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos, ...
Suspeito de matar estudante de psicologia é preso; veja o que se sabe sobre o caso Após ser preso na quinta-feira (12), Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos, confessou o assassinato da estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, e segundo a Polícia Militar (PM), não demonstrou arrependimento pelo crime. Ele relatou que não houve planejamento e informou que a vítima foi escolhida aleatoriamente. Vanessa era moradora de Pará de Minas e foi encontrada morta em Juatuba, na Grande BH, após desaparecer ao sair do trabalho no Sistema Nacional de Emprego (Sine). O corpo dela foi sepultado na quarta-feira (11). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp De acordo com a PM, Ítalo foi preso enquanto tentava fugir de trem em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Veja o momento da prisão no vídeo abaixo. A prisão ocorreu após uma denúncia anônima informar que o homem estava sentado entre os vagões de um trem de carga. Ele saiu de Juatuba, onde o crime ocorreu. Suspeito de matar estudante de psicologia na Grande BH é preso em Carmo do Cajuru A PM montou uma ação e interceptou a locomotiva quando ela chegou em Carmo do Cajuru. Assim que percebeu a presença da polícia, ele tentou fugir, pulando do vagão com o trem ainda em movimento, mas foi contido. Com o suspeito, os militares encontraram uma sacola com roupas, produtos de higiene pessoal e uma faca. Ao ser preso, ele afirmou que fugia sem destino definido. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou, nesta quinta-feira (12), que Ítalo já foi condenado pelos crimes de estupro, tráfico de drogas, furto e roubo. Cronologia do caso Vanessa morava em Pará de Minas e se deslocava diariamente para Juatuba, onde trabalhava no Sistema Nacional de Emprego (Sine). Segundo a investigação, ela foi vista pela última vez na tarde de segunda-feira (9), após sair do trabalho. A ausência repentina mobilizou o irmão da vítima, Matheus Oliveira, que iniciou as buscas e levantamentos para tentar localizar a jovem e entender o que havia ocorrido. Ele disse não ter tido apoio necessário da Polícia Militar durante as buscas. O corpo da jovem foi encontrado no dia seguinte, com apoio de um drone de um fotógrafo da cidade que ajudou nas buscas. O corpo estava em uma área de mata, no trajeto que ela fazia rotineiramente para retornar a Pará de Minas. A perícia identificou indícios de violência sexual e morte por estrangulamento, informações que passaram a orientar a principal linha de investigação. A partir da coleta de provas e depoimentos, as equipes passaram a concentrar esforços na identificação e localização do suspeito. O suspeito do crime foi identificado como Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos, que já tem condenações pelos crimes de estupro, tráfico de drogas, furto, e roubo, conforme o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Parentes de Ítalo informaram à Polícia Militar que ele estava em Belo Horizonte. Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito telefonou para a família dele, confessou o crime e disse que estava no centro da capital mineira. Familiares disseram também que ele chegou em casa sujo de barro, com arranhões e marcas de sangue nas roupas. Ainda segundo os parentes, Ítalo tinha pedido dinheiro para a mãe para ir a Belo Horizonte. Após três dias do desaparecimento da jovem, com base em informações do serviço de inteligência, a Polícia Militar recebeu a denúncia de que o homem havia sido visto em um vagão de um trem que cortava o Centro-Oeste. O suspeito foi localizado e preso em Carmo do Cajuru, a cerca de 70 quilômetros de Juatuba. De acordo com a PM, ele tentou correr quando a composição parou, mas foi contido pelos militares e encaminhado à delegacia. Durante a abordagem e posteriormente em depoimento, o homem confessou o crime. Conforme os policiais, ele afirmou que não houve planejamento prévio, relatou ter cometido violência sexual antes de matar a vítima e disse que fugiu sem destino após o homicídio. Ainda segundo os militares, o suspeito não demonstrou arrependimento ao narrar os fatos. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha na conclusão do inquérito e na consolidação das provas para encaminhamento ao Ministério Público. Ítalo Jeferson da Silva, 43 anos, suspeito de matar Vanessa Lara de Pará de Minas Policia Militar/Divulgação Vítima sem ligação com suspeito, diz amiga O g1 conversou com Aline Gomes, amiga da família de Vanessa. Aline informou que a vítima não conhecia ou tinha ligação com o suspeito. "A Vanessa foi vítima de um feminicídio. Ela estava voltando do trabalho, morreu porque era mulher, porque o cara pegou ela na rua e matou", opinou a amiga de Vanessa. "Ela tinha sede de vida, estava muito feliz, a mãe fazendo faxina pra pagar a faculdade dela. É revoltante! A Justiça soltou ele depois de cinco estupros! Agora este feminicídio! Eu sou uma mulher que odeia feminicida de todo o meu coração”, disse Aline Gomes. Imagens da vítima caminhando na rua Vídeo mostra Vanessa deixando trabalho momentos antes de desaparecer Circuitos de segurança registraram imagens de Vanessa em Juatuba, horas antes de desaparecer. No primeiro vídeo, ela é vista saindo da sede do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Em seguida, Vanessa é vista pelas câmeras em ruas da cidade. Primeiro, ela passa por um local movimentado. Depois, já é vista em um local de pouco movimento (veja vídeo acima). Irmão fez buscas pela estudante O irmão de Vanessa, Matheus Oliveira, percorreu Juatuba sozinho em busca de qualquer sinal da jovem. “Passei a madrugada calculando a rota que eu faria, pesquisando mapas. Fiquei andando por mais de 10 quilômetros a pé tentando encontrar qualquer pista”, contou. Segundo ele, teve que contar principalmente com a solidariedade da população local. “Me senti acolhido pela população de Juatuba, mas não tive o apoio necessário dos órgãos. Em momento algum me ajudaram a procurar câmeras ou alguma pista”, disse. Mapa mostra local onde Vanessa foi encontrada morta, em Juatuba. Arte g1 Violência sexual O corpo de Vanessa foi encontrado em uma área de vegetação na Rua Santa Cruz, que dá acesso à BR-262. De acordo com a perícia, havia sinais de violência sexual, e a causa presumida da morte foi estrangulamento com o cabo de energia do notebook da vítima. A mochila com roupas, além do notebook e do celular dela, foram apreendidos. Segundo a Polícia Militar, testemunhas ajudaram nas buscas após familiares divulgarem fotos da vítima nas redes sociais. Dois homens decidiram procurar pela mulher nas imediações onde ela teria sido vista pela última vez, já que Vanessa integrava uma equipe de uma empresa que realizou um processo seletivo no Sine de Juatuba. Ela retornaria para Pará de Minas. Durante as buscas, um dos homens encontrou uma calça jeans feminina suja de barro na vegetação. Pouco depois, o outro rapaz que ajudou nas buscas, localizou o corpo da vítima, nu e sobre uma árvore. A PM foi acionada imediatamente e isolou a área até a chegada da perícia. Vanessa havia sido dada como desaparecida horas antes. A mãe dela registrou boletim de ocorrência e forneceu as características físicas da filha, que foram confirmadas pelos militares no local. Conforme levantamento policial, Ítalo tem passagens por tentativa de estupro, roubos e tráfico de drogas, e cumpria pena em regime semiaberto domiciliar. O corpo de Vanessa foi levado para o IML e submetido a exames. Ele foi liberado para os parentes no fim da noite desta terça-feira (10). Reconhecimento do corpo, despedida e enterro Vanessa e o irmão Matheus Reprodução/Redes Sociais A dor de reconhecer a própria irmã no Instituto Médico Legal (IML) é uma imagem que Matheus Oliveira, de 31 anos, afirma que jamais sairá da memória. “A pior coisa que eu já fiz na minha vida foi ter que reconhecer minha irmã no IML. Essa imagem perdura nos meus olhos. Foi uma cena que eu não desejo ninguém a ver, nem ao meu pior inimigo”, desabafou. Segundo o irmão, há indícios de que Vanessa tenha tentado resistir à violência. “Pelos sinais, ela lutou até o último minuto. Ela foi agredida e estava muito machucada”, completou. A morte precoce deixou a família em estado de choque e com sentimentos que misturam dor profunda e indignação. “Hoje meu sentimento é dor, angústia e impunidade. Éramos só eu, minha irmã e minha mãe em casa, agora não tem ela mais”, desabafou o irmão. O corpo de Vanessa foi sepultado na quarta-feira (11) no Cemitério Municipal, no distrito de Antunes, em Igaratinga, no Centro-Oeste de Minas. Uma jovem que sonhava em cuidar de pessoas Descrita como dócil, empática e muito querida, Vanessa estava no 7º período de Psicologia e tinha o sonho de ajudar pessoas que enfrentavam dificuldades emocionais. “Ela era extremamente dócil, amada e tinha muitos amigos. Adorava ouvir as pessoas e queria trabalhar ajudando quem passava por problemas psicológicos”, contou o irmão. A jovem estagiava em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e também auxiliava pessoas na busca por emprego. Mesmo longe, fazia questão de comparecer presencialmente para atender e orientar quem precisava. “Ela amava o que fazia e não colocava dificuldade em ir trabalhar e ajudar outras pessoas a conseguirem oportunidades de trabalho. Ela sempre falava que se pudesse ajudar aprovaria todos nos processos de seleção. Ela só pensava em ajudar”, disse Matheus. Tranquila, comprometida e estudiosa Vanessa Lara de Oliveira era moradora de Pará de Minas Reprodução/Redes Sociais Vanessa também foi lembrada por amigos e professores como uma jovem tranquila, comprometida e estudiosa. Conforme o coordenador do curso de psicologia, Éser Pacheco, a estudante era responsável e dedicada aos estudos, mantinha uma rotina focada na formação acadêmica e sonhava em atuar na área de Recursos Humanos. Éser contou ainda que havia ministrado aula para a turma de Vanessa recentemente, quando discutiram temas como feminicídio e violência na sociedade contemporânea, e que, diante da comoção entre os estudantes, o curso decidiu suspender temporariamente as aulas da turma. A professora Marina Saraiva, que acompanhou a estudante durante um semestre, relembrou a trajetória dela e destacou a dedicação nas aulas e no estágio no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS-IJ), onde atuou com crianças e adolescentes com transtornos mentais severos. Segundo Marina, colegas e profissionais do serviço ficaram profundamente abalados com a notícia da morte. "Está todo mundo chocado”, afirmou. A docente disse que os relatos mais frequentes sobre Vanessa a descreviam como uma jovem 'boazinha demais, tranquila e meiga', com um jeito discreto que marcava todos que conviveram com ela. Emocionada, Marina disse que ainda tenta lidar com o impacto da perda e lamentou a interrupção precoce da trajetória da aluna. “A gente vê uma menina ter a vida interrompida assim, com tantos sonhos e planos. É realmente chocante”, declarou. LEIA TAMBÉM: Suspeito de matar estudante é preso em Carmo do Cajuru Irmão de estudante morta ao sair do trabalho relata dor Quem era a estudante que desapareceu ao sair do trabalho e foi encontrada morta Homem é agredido ao ser confundido com suspeito de matar estudante VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas